Paulistanos põem em risco profissionais de saúde por causa do novo coronavírus


  Autor: Felipe de S.P

         As sociedades ocidentais avançaram no combate aos problemas de saúde surgidos de condições insalubres de vida. Se por um lado, os pesquisadores científicos criaram uma série de técnicas e procedimentos para diminuir os riscos de contaminação, por outro, a aplicação delas, por parte do poder público, obedece à interesses distintos ao longo da história, cujos resultados observam-se na forma desigual como a estrutura de saneamento básico, por exemplo, encontra-se distribuídos na capital paulista. A essas questões, não podemos esquecer, juntam-se, também, as maneiras como a população no geral, e o seu conjunto de grupos de múltiplos interesses, reage as diferentes situações cotidianas ou extraordinárias, como é o caso experimentado com a pandemia do novo coronavírus. De maneira geral: os centros de pesquisa, nacionais e internacionais, correm para entender o vírus e produzir contraposições à ele; os governantes calculam suas ações, mais ou menos duras, para conter o avanço de infectados e, ao mesmo tempo, não destruir a economia, e o mesmo parece fazer os empresários; e, enquanto isso, os cidadãos comuns tomam as suas próprias medidas, vindas de múltiplas plataformas de informação, para a prevenção e a manutenção de sua existência. São as ações calculadas dessas diversas instituições, sempre entrelaçadas, o principal assunto da postagem de hoje no blog. E, sabendo ser esse um assunto espinhoso, concentro à atenção nas atuações dos cidadãos e seus impactos na busca pelo bem comum.
            Segundo informações obtidas em primeira-mão, sendo sua fonte uma das chefes responsáveis pela higienização das Unidades Básicas de Saúde (UBS) e dos Atendimentos Médicos Ambulatoriais (AMA), o aumento exponencial das compras de máscaras, tanto as cirúrgicas quanto as específicas, sendo elas, os modelos PFF2 e N95, luvas, aventais, óculos e álcool 70% têm dificultado à proteção das equipes de limpeza diariamente, pois o estoque de sua empresa é insuficiente para atender a demanda que agora conta com três horas a mais de trabalho. Parte das compras é dinheiro perdido para uma falsa sensação de segurança, porque, segundo a entrevistada, a população desconhece os procedimentos corretos de utilização, não trocam as máscaras a cada duas horas, como fazem os profissionais da saúde, e, para além disso, elas devem ser usadas somente por quem estiver com suspeita de contaminação ou ter certeza do seu diagnóstico. As luvas, ao invés de serem trocadas a cada novo procedimentos, são colocadas uma vez e usadas o dia inteiro pela população que a compra, tendo, assim, a sua proteção invalidada, sendo melhor, nesse caso, deixa-las de lado para lavar as mãos com água, sabão ou detergente de acordo com as suas possibilidades. Essa situação atinge, diretamente, todos os quadros profissionais dos equipamentos de saúde, não somente os envolvidos com a limpeza, mas, igualmente, médicos/as, enfermeiros/as, técnicos/as e auxiliares de enfermagem responsáveis pelo atendimento aos pacientes, seja com COVID-19 ou com qualquer outra enfermidade, e, indiretamente, coloca em risco parentes e vizinhos dos seus territórios de origem, sem qualquer preconceito de classe socioeconômica. E, é importante ressaltar, se a aquisição desnecessária de equipamentos toca as instituições de saúde, públicos ou privados, atinge com mais força, interferindo no combate imediato ao novo coronavírus, os AMAs, pois esse equipamento responsável pelos primeiros atendimentos aos pacientes com casos suspeitos de COVID-19, na cidade de São Paulo, está com seu conjunto de trabalhadores fazendo plantões acrescidos de três horas.
            Por isso que, enquanto cidadãos participes de uma sociedade, devemos parar e pensar se resoluções individualistas, pautadas em informações incorretas e alarmistas, valem a pena diante do fato delas colocarem em risco toda nossa comunidade. E, se isso não for suficiente para nos convencer da expressa necessidade de colocar em primeiro lugar o bem comum, basta nos colocarmos no lugar dos profissionais de saúde para ver se gostaríamos de trabalhar com medo de perder os bens mais básicos de proteção em um ambiente de fácil contaminação e transmissão de vírus, bactérias e etc.

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