Mortalidade juvenil por crimes violentos na periferia da zona sul paulistana entre 1990 e 2002


Autor: Felipe de S.P
            Nos registros do Programa de Aprimoramento das Informações de Mortalidade da Prefeitura da cidade de São Paulo (Pro-AIM), São Paulo/Brasil, – disponível em: https://www.prefeitura.sp.gov.br/cidade/secretarias/saude/tabnet/mortalidade/index.php?p=6529, verifica-se as principais vítimas de homicídios dolosos na capital do estado: a população masculina na faixa etária de 15 até 24 anos moradora da periferia. E, embora as taxas de homicídios dolosos tenham diminuído exponencialmente nos últimos dezoito anos, principalmente entre 2003 e 2008, é inesquecível a situação anterior ao início desse período, o assunto principal do artigo.
            Voltando nossa atenção à configuração da violência urbana, iniciada no início da década de 1990, quando o seu descontrole começa a atingir intensamente os moradores das margens da capital (SILVA, 1998, p.144), encontramos um gradativo aumento, anual, das mortes por agressão dolosa expressa pelo aumento dos corpos sem vida encontrados nas ruas, vielas, becos e escadões das zonas pobres, especialmente, no território que será conhecido, em 1998, como o “Triângulo da Morte” paulistano (PINTO, 2018, p.33), o local privilegiado de discussão do texto.
            O Triângulo formado pelos territórios atendidos por três Distritos Policiais (DP), o 47º DP Capão Redondo, 92º DP Parque Santo Antônio e o 100º DP Jardim Herculano, vizinhos, localizados na zona sul da capital paulista, reconhecido pela Organização das Nações Unidas (ONU) como a região mais violenta do mundo (PINTO, 2018, p.33), apresentou uma escalada nos homicídios que representou 9,84% dos registros na cidade, em 1996, até chegar a 11,82% em 2000 (PINTO, 2018, p.33).  Os jovens, dentro da faixa etária assinalada, representavam a maioria dos mortos: saindo de uma representação de 36%, em 1996, para uma de 47%, em 2002 (PINTO, 2018, p.35). E, em uma perspectiva mais prática, podemos dizer que se, em 1996, um jovem morria a cada dois dias, seis anos depois, em 2002, era quase certo encontrar alguém, entre 15 e 24 anos, morto por dia.
            Essa situação começa a mudar no ano seguinte, 2003, porém o número somente caíra abaixo dos três dígitos em 2007, quando a região registra 83 homicídios dolosos de jovens entre 15 e 24 anos. E, a seguir, apresento um gráfico no qual é possível observar a retração dos números desde 1996 até 2016, assim torna-se evidente a tendência que a cidade vem apresentando desde 2003:

Referências Bibliográficas:
PINTO, Felipe de Souza Entre sociais, rolês, parties e bailes: uma etnografia dos entretenimentos juvenis no Capão Redondo. Dissertação de Mestrado, Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais da Universidade Federal de São Paulo, 2018.
SILVA, José Carlos G.S. Rap na cidade de São Paulo: música, etnicidade e experiência urbana, 1998. Campinas: UNICAMP. Tese de doutoramento em Antropologia, 1998.

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