Um pouco da história dos Bailes Black paulistanos e sua importância para a juventude periférica hoje


Autor: Felipe de S.P

Os bailes eram um importante entretenimento para a elite paulistana no novo centro urbanizado, desde 1920, fazendo parte das atividades diárias das modernas lojas e hotéis nele instalados, por exemplo, o Mappin e o Hotel Esplanada, onde podia-se tomar chá ouvindo as jazz-bands ou apresentar as suas filhas para a sociedade (ROCHA, 2006, p.34; ROLNIK, 2017, p.23), o que perdurou até os anos de 1960. A situação, entretanto, não era a mesma para a juventude trabalhadora, negros e brancos pobres moradores da periferia, esses divertiam-se em suas vizinhanças em bailinhos feitos em casa ou, em junho, nas muitas quermesses realizadas, sendo, os primeiros, os responsáveis por criar uma grande cena de lazer para essa camada da população, através de muitos intercâmbios e reinterpretações das culturas negras, especialmente, a norte-americana, essa que chegou ao país por meio da música disseminada na evolução da indústria cultural de massa, a mesma que trouxe o cinema para a nossa nação. E é importante pontuar, na construção dessa cena não estava em jogo apenas o lazer juvenil, precário desde muito tempo, mas, também, as questões identitárias e políticas da população negra, segregada no restante desde a abolição da escravidão, em 1888.
 No início, criou-se em frente ao Mappin, a loja símbolo da capital, uma rede de cidadãos que aproveitavam a noite entre amigos e divulgavam os bailinhos que produziam nas margens da cidade, em rincões bem distantes uns dos outros, como, a Brasilândia e a Casa Verde, na zona norte, na zona leste, no Capão Redondo, na zona sul, e até no município vizinho desse último, o Embu das Artes. Dos quintais os bailes vão para o centro, realizados ainda em espaço da comunidade negra voltados aos ritmos tradicionais, sendo, em 1970, o momento no qual toda essa movimentação forma um cenário próprio (SILVA, 2013, p.13), composto, por exemplo, pelo baile Chic Show, criado por Luiz Alberto da Silva em 1968, esse que, anteriormente, animava as festas da zona oeste da cidade, nos bairros da Vila Sônia, Jardim Bonfiglioli e Vila Madalena: em seu auge, instalado no salão de festas da Sociedade Esportiva Palmeiras na Barra Funda, o Chic Show realizou o show de James Brown, Gloria Gaynor e Jimmy Bo Horne, na década de 1970 (FELIX, 2000, p.45-46).
O baile, bem coloca Magnani (2003, p.35), é um entretenimento múltiplo, não sendo realizado apenas para ouvir música ou ver grandes cantores, nele é possível viver um período distinto do pesado cotidiano: trocar informações, criar amigos, dançar, cantar, beber, paquerar e etc. Nesse sentido, os bailes diferenciam-se de outras atividades de lazer na qual os sujeitos são simples espectadores, aqui os negros são os protagonistas no fazer e no experimentar. O que neles foi criado e trocado ganhou a periferia paulistana como um todo, as músicas, as danças, as identidades, a forma de fazer política e o trabalho são fortes elementos da tradição às margens do centro, por exemplo, estudando os bailes funk do Capão Redondo, descobri que os jovens, atualmente, não só guardam consigo todas esses visões e ensinamentos, como, também, as articulam às sua situações de vida para poder se divertir e ganhar dinheiro. E toma-lhe outro exemplo:


Referências Bibliográficas:
ROCHA, Francisco. Figurações de ritmo: da sala de cinema ao salão de baile paulista. São Paulo, 2006. Tese de doutoramento, USP.
ROLNIK, Raquel. Territórios em conflito. São Paulo: espaço, história e política. São Paulo: Editora Três Estrelas, 2017.
SILVA, Daniela. O som da diáspora: a influência da música black americana na cena black paulista. 2013. Dissertação de Mestrado, São Paulo/SP. EACH-USP.

Comentários

  1. Muito bacana seu texto
    Essa época glamourosa
    Muito distante da realidade dos atuais bailes funk. Onde foi dominado por apologias a violência sexo e drogas .
    Mudou a geração do respeito pela da libertinagem.

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    1. Oi Valdecir, obrigado por ler e deixar seu comentário, as realidades dos dois são diferentes mesmo, por isso é importante entendermos a história para conseguirmos entender o presente.

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