Guerra e Paz: a sociologia do encontro e do conflito de Georg Simmel
Autor: Felipe de S.P
Sociabilidade é um termo muito
utilizado nas Ciências Sociais, cobrindo um largo campo semântico, todavia,
nessa postagem gostaria de explicar o seu uso para um dos sociólogos
responsáveis por criar o conceito, sendo ele, o teórico alemão Georg Simmel, 1858-1918.
Segundo o pesquisador, a interação social é elaborada por diversos interesses, “sensoriais,
ideais, momentâneos, duradouros, conscientes, inconscientes, movidos pela causalidade
ou teleologicamente determinados [feitos com finalidade]” (SIMMEL, 2006, p.60),
por exemplo, ir ao banco retirar dinheiro, pagar uma conta, comprar algo em um
mercado e etc., toda relação humana é uma interação. Contudo, conforme continua
ele, para além disso, “todas essas formas de sociação são acompanhadas por um
sentimento e por uma satisfação de estar justamente socializado, pelo valor da
formação da sociedade enquanto tal” (SIMMEL, 2006, p.64). É isso mesmo, para
Simmel os humanos possuem um impulso natural para, não somente encontrar as
pessoas, mas de construir e manter com elas um laço, e, “desvencilhando-se da
vida social e do mero processo de sociação como valor e como felicidade [puro
impulso], [...] constitui assim o que chamamos de ‘sociabilidade’” (SIMMEL,
2006, p.64). E o que é isso? É a forma tomada por sociações específicas e é por
meio dela que os indivíduos sentem e realizam suas ideias. Você já reparou que
grupos sociais diferentes possuem diferentes maneiras de ser e estar juntos uns
com os outros? Sendo, exatamente, essas distintas sociabilidades o campo de estudo
das Ciências Sociais.
Vocês podem perguntar: mas não há
grupos em guerra e divergências entre grupos que pertencem a mesma comunidade?
A resposta é sim, há mesmo, porém, hostilidades também configuram
sociabilidades, assim como a evitação, se separar de uma relação amorosa e
nunca mais falar com a outra parte é manter uma determinada sociabilidade. O próprio
Simmel é um dos responsáveis pela sociologia do conflito, sendo esse: “uma
maneira de conseguir algum tipo de unidade, mesmo que seja através da
aniquilação de uma das partes em litígio. Isto é
aproximadamente paralelo ao fato de que ele é o sintoma mais violento de uma
doença que representa o esforço do organismo para
se libertar de distúrbios e
danos causados por eles”
(SIMMEL, 2011, p.568).
Por
fim, para a nossa reflexão, o que a teoria simmeliana nos diz? Ela desfaz a
ideia de que sociedade é sinônimo de convergência entre seus membros. E basta
uma vista de olhos para confirmar isso, por exemplo, a observação da história de
nosso país mostra que nossa cultura, e o uso do singular é para enfatizar a existência
de ideais e valores partilhados por todos nós, foi concebida sob as bases da
opressão de negros e indígenas, enquanto os brancos europeus davam vasão aos
seus objetivos, enquanto os primeiros criavam estratégias para manterem-se
vivos.
Referências
Bibliográficas:
SIMMEL, George. Questões fundamentais da sociologia: indivíduo e sociedade. Rio de
Janeiro: Zahar, 2006.
SIMMEL,
Georg, O conflito como sociação. (Tradução
de Mauro Guilherme Pinheiro Koury). RBSE
– Revista Brasileira de Sociologia da Emoção, v. 10, n. 30, pp. 568-573. ISSN 1676-8965. http://www.cchla.ufpb.br/rbse/Index.html
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