Cidades e epidemias: um pouco sobre a importância da higiene simples


Autor: Felipe de S.P
 
           A cidade, por definição, é organizada entorno da ideia de encontro (MAGNANI, 2012, p.252), seja pequena ou grande, rural ou urbana, nela encontramos reunidos bens e serviços construídos para atender sempre o coletivo. Independente da direção do privilégio urbano, sabemos que em casos como o do município paulistano esse tipo de infraestrutura atendeu durante muito tempo somente as classes abastadas (ROLNIK, 2016, p.26), tanto esses quanto as classes de trabalhares mais ou menos especializados acabam por interagir em algum nível: em suas atividades laborais ou de lazer, no curso da execução de suas demandas sociais e, mesmo, no tocante a todas elas, durante os seus percursos diários nos transportes públicos. E, nesse sentido, a cidade nos apresenta muitos desafios para conter as epidemias como podemos ver com a ocorrida com o COVID-19.
            Se a transmissão do coronavírus, assim como a de outros vírus, ocorre por meio do contato, entre pessoas ou a partir de um meio infectado, por exemplo, superfícies de apoio de ônibus, metrôs e trens, a diminuição dos toques e a higienização do nosso corpo e bens é essencial. Esses pedidos das instituições governamentais não são novos, em nossa história recente, em 2009, a gripe suína, H1N1, fez a população brasileira aprender a usar o álcool em gel, costume encontrado até hoje, o que diminuiu ao longo dos últimos onze anos. Essa última questão, todavia, nos sinaliza: nós somos capazes de modificar os hábitos para o bem individual e para o bem coletivo. E, nesse processo, é muito importante meditar sobre esses dois polos, base do pensamento ocidental, pois nossas ações podem ressoar na comunidade geral, como, por exemplo, se eu comprar muitas embalagens de álcool em gel pode faltar para os demais se protegerem, por outro lado, o aumento abusivo de seu preço, feito por parte dos comerciantes, devido a demanda, pode inviabilizar sua compra por parte das populações pobres de nosso país.
            Foram, justamente, essas pequenas atitudes de bem comum uma das bases para a construção do progresso: o lavar as mãos foi responsável por diminuir o contágio e a mortalidade nos hospitais (ANVISA, p.21). E, portanto, nesse momento, não se furtem a prestar atenção à essas ações, adequando-as a nossa realidade, pois sabemos o quão desiguais são as situações vividas por nossa população.
Referências Bibliográficas:
ANVISA. Segurança do paciente: higienização das mãos. Disponível em: http://www.anvisa.gov.br/servicosaude/manuais/paciente_hig_maos.pdf visualizado em 16/03/2020
MAGNANI, José Guilherme C. Da periferia ao centro: trajetórias de pesquisa em Antropologia Urbana. São Paulo: Terceiro Nome, 2012.
ROLNIK, Raquel. Territórios em conflito. São Paulo: espaço, história e política. São Paulo: Editora Três Estrelas, 2017.

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